A Amsterdam da América do Sul: Bogotá

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Por ÉRICA CHAVES (soitu.es)

A cada dia, mais de 350.000 colombianos usam a bicicleta em Bogotá, o que representa 5% dos deslocamentos. Isto a converte na cidade sul-americana que mais utiliza a bicicleta de forma cotidiana, graças aos seus muitos quilômetros de ciclovias. E ainda, durante os finais de semana ou feriados, 122 km de ruas de Bogotá se fecham para o trânsito de carros para dar vazão a milhares de colombianos, triplicando a quantidade de ciclistas, além dos que usam as ruas para patinar ou simplesmente caminhar. A capital colombiana conta também com uma estrutura pioneira para potencializar o uso da bicicleta e do lazer durante os finais de semana: são as recreovías.

 

As ciclovias

 

Os que se deslocam por meio das bicicletas economizam em torno de dois salários mínimos ao ano“, assegura Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá e o principal motivador do uso de bicicletas na cidade. A capital colombiana conta com 300 km de ciclovias (ou ciclorotas), que são similares as que conhecemos na Espanha como carril bici. As primeiras ciclovias foram implantadas na cidade de forma experimental em 1974. Dois anos depois, em 1976, o Conselho Municipal de Bogotá estabeleceu quatro rotas por meio de decreto totalizando 54 km mais de infra-estrutura cicloviária. A ciclovia bogotana é pioneira e tem servido de modelo para outros lugares do mundo como México, Chile, Equador, Brasil e EUA (por exemplo, em Nova Iorque).

colombia recreoviasEstas vias exclusivas para bicicletas estão ligadas ao sistema de ônibus rápido Transmilenio. Em Bogotá uma passagem de ônibus urbano custa 30 centavos de euro (o equivalente a uns R$0,90, nota do tradutor). “Não se pode dizer que seja caro, mas o serviço não é dos melhores e isto acaba por estimular o uso da bicicleta“, conta Fabio Arévalo, diretor da Fundación Movilidade de Colombia.

Desde 1999, na época do Natal, se realizam as “ciclovias noturnas”. O Instituto Distrital para a Recreação e Desporte (no original: Instituto Distrital para la Recreación y el Deporte (IDRD)), IDRD, fecha as ruas à noite com o objetivo de que a população saia às ruas e desfrute da decoração e iluminação natalina. Em 2006, esta iniciativa reuniu 4,1 milhões de pessoas que saíram para pedalar e caminhar por Bogotá.

Para Peñalosa, a dificuldade de implantar a bicicleta com meio de transporte existe por que “nos países sub-desenvolvidos a minoria, que tem automóveis e nunca usa o transporte público, é quem decide. Esta minoria não tem interesse por calçadas, parques, ciclovias ou o transporte público. Pedem mais linhas de metro, não por que tenham a menor intenção de usá-lo, senão para enfiar os pobres embaixo da terra, para que seus ônibus não estorvem aos seus veículos nas ruas e avenidas“.

Segundo o IDRD, o programa de ciclovia, em sua construção, não foi caro, já que os investimentos em aspectos logísticos como projeto, propaganda, sinalização e pessoal só são feitos uma vez por ano. Por esta razão, tem que se investir em recursos para a divulgação de campanhas pedagógicas para os participantes, custos estes que podem ser diluídos com a parceira com a iniciativa privada. “A experiência de muitas cidades tem demonstrado que começando por pequenos atos o programa vai se tornando conhecido e o número de participantes aumenta a cada dia, por que a população começa a sentir a necessidade de utilizar a bicicleta”.

 

As recreovias

 

colombia recreoviasAlém disso, em Bogotá foi implantado um novo espaço de lazer: as Recreovias, 28 zonas criadas nos parques e pontos de grande afluência de usuários, que desde 1985, oferecem atividades aos sábados e domingos entre as 8 e 13 horas. Existem espaços para todos os tipos de esportes como o patim, skate, bicicletas de trial, escaladas em paredões artificiais; serviços veterinários para vacinação, aconselhamento e alimentação de animais de estimação; módulos de vendas onde se organizam os vendedores ambulantes e se pode comprar alimentos e bebidas; zonas para recreação infantil com oficinas de pintura e origami, por exemplo; parques, banheiros e oficinas para ensinar a andar de bicicleta. Em 2006 apareceram também as recreovias noturnas que funcionam as terças e quintas-feiras, a partir das 18 às 21 horas. Mais de 1.970 profissionais trabalham por turno para manter funcionando estes espaços de lazer.

Foi nos anos 80 que nasceu a idéia de fechar o tráfego em algumas ruas durante os fins de semanas com o objetivo de reduzir a poluição e o sedentarismo. A participação nestas atividades é livre e aumenta notavelmente nos domingos e feriados, quando 122 km de ruas da cidade ficam livres dos veículos. “Obviamente existem mais bicicletas no domingo por diversão e lazer“, explica Arévalo.

Mas a iniciativa de fechar as ruas não foi fácil. Segundo o IDRD, tem que se fazer estudos de impacto na mobilidade da cidade, conhecer os desvios para os veículos, escolher as ruas que tenham lugares de interesse turístico, histórico, esportivo ou comercial, para que os participantes se motivem a freqüentar. “Uma vez que isto está claro se requer a disposição do governo com suas diferentes entidades. É muito interessante elaborar traçados para evitar que os participantes retornem pelos mesmo lugares e se animem a percorrer distâncias maiores“.

 

Traduzido com a permissão da autora, Érica Chaves. (Por uma daquelas coincidências do destino, uma brasileira, radicada na Espanha, que gentilmente ofereceu a permissão e ainda por cima corrigiu a tradução.) Fotos: IDRD.

Artigo original: El Ámsterdam sudamericano de las bicis: Bogotá.

Encontrado em Mens Sana in Corpore Sano

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