À espera de um campeonato

Ou a guerra de egos, ou ainda, como somos tão amadores!

Vejam a reportagem do Estadão

Apesar do velódromo de 1.º Mundo, modalidade não tem uma disputa nacional desde 2007

Valéria Zukeran

O Brasil tem desde o ano passado um velódromo de primeiro mundo no Rio, mas até agora nenhum atleta teve o privilégio de sagrar-se campeão brasileiro na pista de pinho siberiano construída para os Jogos Pan-Americanos, ou em nenhuma outra arena do País. Há dois anos o Campeonato Brasileiro de Pista não é realizado. A edição do ano passado foi cancelada e a deste ano, que deveria começar quarta-feira, também com a versão júnior e paraolímpica, no Rio, foi adiada. Ao mesmo tempo, o ciclismo vive sob a tensão de desavenças internas e disputas políticas.

O adiamento oficial da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) foi divulgado dia 14 e, entre os técnicos contactados posteriormente pela entidade, a versão era a mesma: a causa seria falta de dinheiro para as despesas de custo do velódromo do Rio, além da burocracia. Por este motivo, entre os técnicos , há o temor de que o evento não se realize outra vez.

“Tenho um atleta meio-fundista, o Armando Camargo, que também compete em provas de estrada. Não fosse o Brasileiro, ele disputaria a Volta de Santa Catarina”, lamenta o treinador da equipe de Santos, Cláudio Diegues. “Já os velocistas tiveram de parar. Foram os maiores prejudicados.” Segundo ele, no ano passado o Brasileiro também foi adiado e depois não foi realizado. “Espero que não ocorra isso de novo.”

O técnico José Carlos Monteiro afirma que, para sua equipe, de São José dos Campos, o prejuízo não foi tão grande. “Todo adiamento é ruim, mas pelo menos o pessoal vai ter um período de descanso depois dos Jogos Abertos do Interior.” O treinador, no entanto, espera que o Velódromo do Rio possa ser aproveitado para incentivar o crescimento do ciclismo de pista . “Afinal, é das modalidades a que oferece a maior quantidade de medalhas no ciclismo.”

O técnico de Guarulhos, Ricardo Gava, não tem atletas na briga pelo Brasileiro adulto, mas têm juvenis que aguardam oportunidade de disputar o nacional da categoria, e reclama do adiamento. “Para mim, quanto mais perto dos Jogos Abertos do Interior, melhor.” Para o treinador, uma preocupação com a não realização do brasileiro é que isso possa vir a interferir na distribuição de bolsa-atleta do ciclismo de pista em 2009.

O técnico de Taubaté, Fernando Monteiro, tem os dois líderes do ranking de juniores, Flávio Cipriano e Fernando Ortiz. “Acho que esse brasileiro tinha de ter realizado antes das competições internacionais.”

O presidente da CBC, José Luiz Vasconcelos, alega que a causa do adiamento foi a baixa quantidade de inscrições porque a maioria das equipes disputava os Jogos Abertos do Interior. “Até o fim de dezembro teremos o evento, seja no Rio, Curitiba ou outra cidade.”

O dirigente nega falta de dinheiro para organizar o Brasileiro, mas admite que os custos pesam e a burocracia complica. “É preciso pagar despesas do velódromo, além de fazer cotação para médicos, ambulâncias, pagamento dos árbitros e comissários”, afirma Vasconcellos que, no entanto, não soube dizer qual o total necessário.

Segundo o presidente, a CBC é deficitária. “Temos uma verba mensal de R$ 11 mil e despesas de R$ 28 mil”, diz Vasconcelos. “Recebemos os mesmos R$ 1,5 milhões anuais do triatlo e do tênis de mesa e preciso dividir o dinheiro com estrada, pista, BMX e mountain bike.” O dirigente admite, que por causa da Olimpíada, o ciclismo de pista ficou em segundo plano.

O presidente da Federação Paulista de Ciclismo, Marcos Mazzaron, oposição da CBC, diz ter oferecido o centro de Caieiras com uso da pista e hospedagem a custo zero. “Faz uns 25 dias, mas o pessoal da Confederação disse que já estava tudo certo para o evento no Rio.”

O Comitê Olímpico Brasileiro, gestor do velódromo, afirmou que a taxa de manutenção para um fim de semana é de cerca de R$ 10 mil, usados para pagar água, luz e outras despesas. A entidade contratou, em agosto, uma empresa para elaborar, até o início de 2009, um modelo de gestão para o local.

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