As bicicletas de Londres

Boris Johnson mayor of London poses for the media as a new cycle hire scheme starts in London.

Foto: http://www.guardian.co.uk/

O prefeito de Londres está em uma alegria que dá inveja! Seis meses após a inauguração do sistema de aluguel de bicicletas (Barclays Cycle Hire), nos moldes no inédito sistema francês (Velib), a prefeitura comemora a marca de 20.000 viagens diárias. Sabe lá o que representa isto? São pessoas que estão trocando o ônibus e o metrô pelas bicicletas.

Mais, seis de cada dez usuários são novos usuários convertidos à bicicleta. As pesquisas recentemente realizadas revelam algo sobre os usuários do sistema inglês: a maiorias dos usuários são brancos, homens com idade entre 25 e 44 anos, e bem pagos. 88 % dos usuários ou são britânicos ou irlandeses.

A grande maioria dos usuários não é morador de Londres, utilizando a bicicleta na última perna da sua comutação diária ao trabalho (86 % das viagens). Sim, a maior parte dos usuários utiliza a bicicleta por ser um meio de transporte rápido. Veja o infográfico abaixo.

A grande maioria das viagens fica dentro do tempo entre 10 a 30 minutos e, os primeiros 30 minutos são grátis.

Nesta mesma pesquisa, cuidado burocrata, são 290 páginas em inglês, são contabilizados meio milhão de deslocamentos por bicicleta anualmente (2009)! Houve, sem nenhuma ajuda oficial, um aumento de 61 % nos deslocamentos diários entre 2001 e 2009. O sistema oficial de aluguel de bicicletas só começou em 2010. Isto não é um chute: o sistema de transporte de Londres (TLRN – Transport for London Road Network) conta os deslocamentos por modais por meio de sensores.

  • O sistema de aluguel já contabilizou, até 19 de novembro de 2010, 1,7 milhão de viagens;
  • Cem mil usuários aderiram ao sistema, com txa de acesso de 3 libras (4 empréstimos);
  • Os usuários são regulares: 8 em cada 10 utilizam uma vez por semana e 2 em cada 10, cincoa dias por semana;
  • Usuários inexperientes: 6 em cada 10 começaram recentemente a pedalar;
  • Antes do sistema funcionar, 6 em cada dez utilizava metrô (35%), ônibus (23 %) e carro (4%);

O prefeito Boris tem motivos para ficar feliz. O sistema de aluguel de bicicletas é chamado de London’s Boris bikes! Quanta semelhança como nosso ex-prefeito, o Beto binário…

Enquanto isto, na terra do marketing, 100 quilômetros de ciclovias (propaganda oficial) levam nada a lugar nenhum. Não existe a intensão de incluir os deslocamentos por bicicleta nos modais de transporte público, a passagem do ônibus vai aumentar, sem que isto signifique melhoria, etc, etc.

Um modal metropolitano invisível as autoridades municipais.

Tempos atrás fotografei o terminal de ônibus do Afonso Pena (setembro de 2007), em São José dos Pinhais, onde os trabalhadores humildes, bem diferentes dos londrinos, fazem a primeira perna da viagem diária por bicicleta ao terminal, prendem-nas às grades externa do terminal e vão trabalhar de ônibus. Eles são invisíveis, aliás, como todos nós ciclistas somos.

Isto não é um caso isolado de São José dos Pinhais, ali é apenas visível. Mas em todos estes anos em que o terminal está lá, ninguém nunca se prontificou a construir um paraciclo protegido para os usuários. Outros terminais de ônibus na região metropolitana tem a mesma semelhança.

Londres, Paris, Amsterdã, Copenhague são exemplos. Somos todos deslumbrados pelo primeiro mundo, não somos? Por que não copiamos, então, as coisas boas deles?

Em tempo: demonstração da distribuição espacial dos deslocamentos tomados de hora em hora em um período de 4 meses (porque os engenheiros de trânsito deveriam usar o R):

Boris Bikes/ Barclays Cycle Hire Journey Times from James Cheshire on Vimeo.

Via: [Pedal Power: London’s Boris Bike is a Roaring Success] e Boris Bikes/Barclays Cycle Hire Average Journey Times.

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