Castelhanos, ou o dia em que me xingaram!

Turma Castelhanos

Sábado passado, 22/11/08, fomos fazer mais um pedal daqueles. O caminho escolhido foi aquela estrada que corta a serra do mar e leva para a colônia de Castelhanos, a qual, por sinal, ainda não conhecemos!

Tudo combinado dos dez que iriam apareceram apenas oito: Adilson, Frederico, Marcos, Mildo, Rafael G, Rafael S., Mayer e eu. Um perdeu a hora e o pedal, e a outra, sempre inalcançável via métodos modernos (celular e email) disse que estava chovendo!?!?

Na hora combinada lá estava o pessoal no posto Casil, isto é, com um pequeno atraso, claro. Saímos às 6:20 em direção a BR-376 para nos juntarmos ao Marcos, que saiu de Tijucas do Sul. O ponto de encontro era a entrada para as usinas de Guaricana e Chaminé ou a pedreira Tibagi. Bem que eu deveria ter colocado um waypoint deste lugar, pois passei batido pela entrada, achando que havia mais uma, e também, não vi o Marcos que estava no ponto de ônibus, camuflado.

Pedreira Tibagi Castelhanos

Ele pegou a bicicleta e veio atrás. O Rafael G. não sabendo quem era pensou “este cara não vai me passar de jeito nenhum”. Agora imagine a cena: o Frederico e eu na dianteira, tentando chegar na entrada, o resto do pessoal atrás, que sabiam que nós havíamos passado da entrada e, o Marcos, tentando alcançar o povo todo sem saber o que havia acontecido, com aqueles doidos pedalando como se estivessem fugindo da polícia.

Quando cheguei na curva, um pouco antes da entrada de Tijucas, pensei “conheço este lugar” e dito e feito estávamos na entrada para Tijucas e cadê a entrada? Quando vejo a turma chegando e falando aonde é que eu iria com tanta pressa, aparece o Marcos junto com eles… Bem, a ficha caiu.

Decidimos ir em frente e fazer o caminho, velho conhecido, ao contrário, ou seja, descer pela entrada de Castelhanos e subir a serra do mar no sentido São José dos Pinhais. Por que? Por que andaríamos bem pouco no asfalto, com a opção de fazer o caminho de volta todo por dentro das colônias.

Renato Castelhanos

Maravilha, não é? Não! Pegamos um pouco de garoa e asfalto molhado, o que nos deixou um bocado sujos. Chegamos no posto da Polícia Rodoviária Federal e logo a seguir atravessamos a pista para pegar a estrada de chão. Antes, paramos na lanchonete que tem naquele ponto. Tomamos um café que fazia um força danada para sair do bule, tão fraco era. Alguns pediram um pingado, mas só ao saberem que o leite que era em pó. A mulher até se desculpou por não ter leite de pacote ou de caixinha (longa vida), mas o pessoal deu graças a Deus. Imagina uma diarreia aquela altura da aventura. As coxinhas que estavam a mostra até que eram tentadoras, mas ninguém quis experimentá-las. Para falar a verdade, tínhamos tanta comida que dava até para vender. O Mildo até levou uma geladeira térmica, com lanche para todos. Até Red Bull tinha, mas ele tomou escondido e não ofereceu para ninguém 😉

Ponte rio São João Castelhanos

O que na última vez era uma subida que não acabava, vencida pelo Rafael G., Mr. Burns e eu, virou um downhill alucinante, pois era apenas 5 km de descida! Mas tudo que é bom acaba logo e já estávamos na ponte sobre o rio São João, município de Guaratuba, ou melhor, para perceberem o tamanho da encrenca, estávamos apenas a 300 m de altitude. O odômetro marcava 60 km, indicando que neste ponto teríamos de pedalar mais 70 km e subir até o ponto culminante que estava a quase 1100 m. Pouca coisa!

Barro na subida Castelhanos

Detalhezinho insignificante, ali na serra chove quase todo dia, mas o fato é que nos últimos dias não parou de chover no litoral e adjacências, ou seja, o chão estava muito úmido. Para ajudar, e realmente ajudou, começou a ciar uma chuva fraca, o Rafael G. até comentou que “se tivesse como regular a temperatura e a intensidade da chuva, não mudaria nada, estava perfeito”. Explico: o esforço para subir é tanto, a velocidade é tão baixa, que você literalmente ferve. Então uma chuva é ótimo para refrescar a moleira.

Mais Barro Castelhanos

O Mildo, que de última hora trocou os pneus slick por um lameiro não teve tanta dificuldade como alguns que foram com pneus para passear no parque Barigüi! Quem foi?

No meio do subidão, tempo para juntar a tropa, lá vem o aniversariante do dia: o Adilson. Claro que teve parabéns para você, cantado no meio da serra. Mas não teve bolo, ou melhor teve, sim. Quando paramos na panificadora Nogueira, em Contenda, o Adilson pediu um pedaço de bolo, afinal ninguém é de ferro!

Subidão vencido, chegamos naquela parte que tem sobe e desce. A parte do só sobe felizmente ficou para trás. Aí foi a hora de tentar limpar um pouco as bicicletas, que de tanto barro nem trocavam mais de marcha. Providencialmente, perto de um tanque havia uma mangueira que usamos para fazer um lava-bike.

castelhanos lava bike

A partir daqui, o Mildo e o Rafael S. se mandaram, pois tinham compromisso. Ficamos o Marcos e eu esperando pelo Sérgio, que logo apareceu, feliz da vida, pois tinha acabado de subir a serra do mar. Andamos mais um bocado e logo encontramos a tropa reunida, consertando a bike do Rafael G, que quebrou o cabo do câmbio traseiro. Providencialmente o Rafael S. havia levado uma braçadeira Hellermann que salvou a volta. Cabo preso no pinhão central a bike ainda tinha três marchas e muitos quilômetros pela frente.

Legal ver a calma e a tranquilidade do Rafael G. Acompanhei-o um bom tempo e ele geralmente ia na frente, só com as três marchas.

castelhanos_cabo

Mas o que era bom estava acabando. Logo chegamos no orelhão, uma encruzilhada onde tem um telefone público, que serve de referência. Cheguei lá com o Marcos, que logo se mandou para Tijucas e esperei pelo Rafael G. e o Adilson que logo apareceram. 43 minutos depois foi a vez do Sérgio encostar. Até que enfim os últimos pedaleiros estavam juntos novamente.

Seguimos pela estrada de chão até a BR-376, direto para a panificadora do Nogueira, estrategicamente localizada, pois as nossas energias estavam no fim. Legal é ver a cara de espanto do pessoal vendo a gente chegar sujo de lama, com as bicicletas irreconhecíveis e com aquela cara de morto de fome. Literalmente. Quer ver?

castelhanos zumbis

Daí para casa foi tranquilo. Afinal, para mim era apenas trinta e tantos quilômetros! Só uma paradinha no posto para colocar um pouco de óleo na corrente, pois lama não é lubrificante.

Atualizado: Estou publicando a trilha, com os dados coletados pelo GPS. Para ter acesso a ela ou baixar para o GoogleEarth ou para gps, vá para o Every Trail, trilha para Castelhanos. Este track é do primeiro pedal para Castelhanos, no sentido contrário.

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