Celepar incentiva o uso de bicicletas

Apesar de não simpatizar nem um pouco com o (des)governo Requião esta atitude é merecedora de aplausos. Vamos ver no que vai dar. É um bom começo. Sinceramente, espero que outras empresas adotem a idéia, o que seria bom para todos. Uma bicicleta na rua é um carro a menos no trânsito!

Atualizado: Conforme os meus leitores, Leandro e Ulrich, a iniciativa foi do Luiz Patrício, um funcionário do Celepar, no momento presidente da CIPA. O governo está fazendo o que sempre faz: nada!

Agência Estado (03/03/2008 15:08:54)

Projeto da Celepar que estimula uso de bicicletas vai ser apresentado nos EUA

O projeto de mobilidade sustentável “Transporte Livre”, que estimula o uso da bicicleta como meio de locomoção dos funcionários da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), foi selecionado para participar da Conferência Mundial de Mobilidade que acontecerá de 16 a 20 de junho na cidade norte-americana de Portland (Oregon).

O World CarFree Network é realizado anualmente, em revezamento entre os EUA e a Europa, e reúne projetos, ações e experiências ao redor do mundo inteiro. A iniciativa é de uma rede de entidades e organizações que se dedica a promover alternativas ao uso de veículos motorizados, com o objetivo de reduzir os impactos ambientas provocados pelos carros.

Neste ano, o evento apresentará vários projetos mantidos por organizações de vários países, entre eles EUA (Eco-Cidades / Saúde e Desigualdade nos Transportes / Criando ruas seguras), Holanda (Capital da Bicicleta), África (O dilema do ciclista em cidades africanas), Bélgica (Implicações ambientais da oferta diversificada de transportes), Canadá (Ruas são para as pessoas), Estônia (Cicloativismo) e Fórum Latino de Urbanismo.

PROJETO – O Projeto Transporte Livre, cuja implantação está sendo avaliada pela diretoria da Celepar, é uma iniciativa da Comissão de Prevenção de Acidentes da Celepar (CIPA), Fundação Celepar e Programa de Bem com a Vida.

Os principais objetivos são estimular e criar condições para que os funcionários interessados possam usar a bicicleta como meio de transporte, redução do sedentarismo através da prática de uma atividade física regular, contribuir para a otimização da utilização do espaço urbano público e para a redução do nível de poluição nas cidades, demonstrar a viabilidade da bicicleta como meio de transporte e servir de exemplo para as pessoas interessadas em adotar essa prática.

O projeto foi baseado numa pesquisa realizada pela CIPA entre os funcionários da Celepar. Mais de 70 % dos funcionários que responderam o questionário afirmaram que utilizariam de vez em quando a bicicleta para se locomoverem até o trabalho se achassem o trajeto seguro. De acordo com levantamento feito pela Celepar, boa parte dos funcionários reside a uma distância que possibilita o uso da bicicleta.

Estudo do Ministério das Cidades aponta que em trajetos urbanos de até 5 quilômetros a bicicleta é mais rápida que o carro. Atualmente, apenas 2% dos funcionários da Celepar utilizam diariamente a bicicleta para ir ao trabalho e 7% uma vez por semana. Isto, sem nenhuma medida facilitadora ou campanha de estímulo.

No caso da Celepar, 62% dos funcionários utilizam o carro todos os dias para ir ao trabalho. Isto, na opinião do vice-presidente da CIPA/Celepar, Luís Cláudio Brito Patrício, um dos principais incentivadores do projeto, já é motivo suficiente para um programa de mobilidade sustentável.

VANTAGENS – Entre as várias vantagens do projeto, Luís Cláudio aponta o fato de Curitiba ser a cidade mais motorizada do país – mais de um milhão de veículos para 1,8 milhão de habitantes. Além disso, é a segunda capital brasileira com maior número de homicídios culposos causados por acidentes de trânsito segundo o Relatório Avaliação Ambiental (IPPUC, 2007).

Para a empresa as vantagens são inúmeras. “Ter mais funcionários pedalando vai gerar uma redução dos gastos com afastamento de funcionários, reembolso de medicamentos e planos de saúde, além de diminuição do espaço de estacionamento”, diz Luís Cláudio que lembra que no espaço destinado para uma vaga de carro cabem de 8 a 12 bicicletas dependendo do tipo de bicicletário.

O programa também tem impacto sobre a produtividade da empresa. Segundo a revista Bibliomed uma atividade física regular e o deslocamento para o trabalho sem o estresse de congestionamentos e procura por vagas, tornam os funcionários mais eficientes.

Da mesma forma, o ciclismo é um exercício de baixo impacto e sua prática ajuda a prevenir inúmeros problemas de saúde como sedentarismo, estresse, doenças do coração, diabetes, osteoporose, entre outros. E ao contrário do que muitos pensam, o nível de poluição dentro dos veículos é superior do que ao ar livre.

Segundo relatório da Comissão Européia “Cidades para bicicletas, cidades de futuro”, um automobilista respira duas vezes mais gás carbônico e 50% a mais de óxido de azoto.do que um ciclista. Outra vantagem é que ao utilizar a bicicleta é mais fácil variar a rota, evitar engarrafamento e procura por vagas.

Uma iniciativa como esta também têm impacto na diminuição da poluição nas cidades já que os veículos respondem por quase 90% do total de gases tóxicos lançados na atmosfera e pelos elevado nível de ruído nas ruas de tráfego mais intenso. A prática do ciclismo também interfere na paisagem urbana já que boa parte do espaço público e privado na cidade é destinado ao automóvel. “Incentivar transportes alternativos é um caminho para retomar esse espaço perdido em ruas, estacionamentos, garagens e outros”, opina o funcionário da Celepar.

SEGURANÇA – Registros do Corpo de Bombeiros e do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTRAN) de 2007, indicam indicam que 42,21% dos acidentes de bicicleta foram por “quedas”, sem a intervenção de nenhum outro veículo. Os acidentes com objetos fixos e outras bicicletas somam mais 24,6%. Além disso, uma pesquisa feita pela Unesco para o governo brasileiro apontou que 95% dos acidentes com ciclistas ocorrem em cruzamentos. E que as colisões por trás, em que o motorista ou motociclista atropelam ciclistas, não passam de 0,08% do total.

Outro dado importante é que os acidentes de trânsito são hoje uma das principais causas de morte no país, segundo dados da pesquisa de mortalidade por acidentes de transporte terrestre promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Esse dados servem para afirmar que o risco de acidentes é quase nulo se o ciclista tem experiência, conhece as leis de trânsito e assume uma postura defensiva. Outro dado interessante é a avaliação da Bicycle Helmet Research Foundation que indica que a medida que aumenta o número de ciclistas, diminui o número de acidentes com os mesmos”, justificam os proponentes do projeto.

Fonte: Agência Estadual de Notícias Link corrigido, obrigado Leandro.

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