Curitiba, dando o exemplo!

Reportagem de ontem na Gazeta do Povo mostra situação de pedestres e ciclistas.

Calçadas sem espaços para pedestres, com obstáculos que impedem o uso por cadeirantes e idosos são uma constante em Curitiba. Eu mesmo já reclamei de um tapume colocado na calçada por uma construtora. Sabe o que a prefeitura fez, tirou fora um orelhão (que era mais um obstáculo) e não fizeram nada com a construtora. Hoje no local, quando chove, só passa que tem botas sete léguas.

Claro, o prefeito e seus técnicos não andam a pé. Melhor ainda, eu diria, eles não conhecem a cidade que administram, pois a olham de dentro de uma bolha de vidro.

Veja no texto que o IPPUC “trabalha atualmente” na elaboração de um plano cicloviário! Taí mais uma lenda urbana, a se somar com a loira fantasma!

O fato é que Curitiba parou no tempo, não tem mais a capacidade de surpreender no plano urbanista e virou refém da sociedade do automóvel. Todas as intervenções que a cidade sofre, todas, são em função dos carros. O mais irônico, não fosse trágico, é que basta dar a hora do rush para mostrar quão acertadas foram estas mesmas intervenções. Se tiver paciência, leia o texto abaixo.

Ciclista e pedestre em 2.º lugar

Em Curitiba tudo conspira contra o uso da bicicleta. Nas palavras dos próprios ciclistas da capital paranaense, a qualidade das calçadas, o desrespeito dos motoristas, a falta de ciclovia e de ciclofaixas, a temperatura instável, tudo serve para desestimular as pedaladas. E não é só isso. Os pedestres também reclamam.

O problema é que a quantidade de espaço para pedestres, por exemplo, não aumentou, en­­quanto o número de veículos cresceu, segundo o ex-presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs) e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuc) Carlos Eduardo Ceneviva. “Cu­­ri­tiba poderia elaborar ruas preferenciais para pedestres e aproveitar que a parte sul da cidade é plana. Mas falta uma política, falta um pouco mais de ênfase nessa questão do pedestre e do transporte público”, diz.

Para André Caon, presidente de uma ONG em defesa dos pedestres, a Sociedad Peatonal (So­­ciedade dos Pedestres), nos últimos anos todos os investimentos em Cu­­ri­­­tiba foram direcionados para o carro e para a especulação imobiliária. “Aquele que an­­da a pé ou de bicicleta, aquele que precisa da calçada, foi passado para trás. Nos últimos 30 anos, todos os investimentos públicos foram direcionados para o automóvel e os imóveis. Basta olhar a qualidade das calçadas da cidade”, protesta.

Falta de educação

A falta de respeito dos motoristas com os ciclistas é um ponto negativo que desestimula o uso da bicicleta. A mudança de cultura é apontada como o primeiro passo para que esse modal seja mais usado na cidade. “Os motoristas precisam entender que o usuário de bicicleta está desafogando o trânsito. O motorista apressado e mal-educado não compreende que as pessoas usam a bicicleta como meio de transporte”, afirma o ciclista Oscar Cidri.

Para o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Hardt, os ciclistas reclamam muito do comportamento dos automóveis, mas os motoristas também reclamam dos ciclistas. “Aqui se tem uma cultura de trânsito que não leva em conta o respeito. É raro um ciclista, por exemplo, que respeita o semáforo”, diz.

Para o coordenador do Grupo Transporte Humano e um dos fundadores da União dos Ciclistas do Brasil (UCB), Luís Cláudio Patrício, o primeiro passo é reconhecer a bicicleta como um meio de transporte. “A demanda dos ciclistas não é por ciclovias, mas por ruas cicláveis, com sinalizações adequadas. Algo que torne o trânsito amigável, o que já é por si só um incentivo para quem pensa em andar de bicicleta”, afirma.

Na opinião do coordenador de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo (UP), Orlando Pinto Ribeiro, para que a bicicleta possa ser um modal da cidade e, assim, auxiliar na mobilidade, algumas ruas poderiam ter circulação preferencial para as magrelas. “Ruas não binárias que têm tráfego muito pequeno poderiam ter acesso exclusivo para carros dos moradores e serem preferencialmente de uso de ciclistas”, afirma.

Plano Cicloviário

Atualmente o Ippuc trabalha na elaboração de um plano cicloviário. Ele faz parte do programa Pedala Curitiba, que além de construir novas ciclovias e ciclofaixas, prevê a recuperação da malha cicloviária atual. Segundo o projeto, as calçadas de asfalto serão analisadas e poderão ser incorporadas à infraestrutura cicloviária da cidade.

O projeto é elaborado em parceria com as Secretarias Mu­­nicipais de Obras e Meio Am­­biente e a Diretran. A intenção é detalhar a sinalização das ciclovias, a partir do que prevê o Código de Trânsito Brasileiro, tan­­to para as de uso preferencial como para as compartilhadas. Um levantamento apontará tam­­bém ruas onde, no futuro, o uso da bicicleta poderá ser facilitado. Procurado pela reportagem, o Ippuc não retornou o pedido de entrevista para detalhar o plano até o fechamento dessa edição.

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