Curitiba investirá no tranporte por bicicletas?

Apenas replicando noticiário de hoje no jornal Gazeta do Povo. Só vendo, mas como dizem alguns membros do Bicicletada Curitiba, estes administradores deveriam pedalar mais do que falam bobagem. Já seria um bom começo!

Trinta anos depois de implantadas as primeiras ciclovias na cidade, a capital paranaense volta a investir nas bicicletas como meio de transporte. Uma equipe do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba (Ippuc) está debruçada sobre o Plano Diretor Cicloviário, com o objetivo de aumentar em 87% a quilometragem de vias destinadas a bicicletas em Curitiba.

Mais que aumentar a quantidade de ciclovias e afins, a ideia é estruturar uma rede de vias destinadas a bicicletas que possibilite a mobilidade plena dos usuários com mais segurança. A iniciativa surgiu depois que uma pesquisa feita pela prefeitura mostrou que 86% dos ciclistas utilizam a bicicleta como transporte para o trabalho e não para o lazer.

O levantamento, feito com base em 2,8 mil entrevistas com ciclistas, mostrou que a maior preocupação dos usuários é com a segurança. Na maior parte das vezes, os ciclistas disputam espaço com os carros nas ruas, já que no passado as ciclovias foram pensadas com a função de lazer.

O Plano Diretor Cicloviário ainda não está finalizado, mas mostra diretrizes para resolver esse problema. O ponto de partida é a malha existente – calcula-se que Curitiba conte, hoje, com cerca de 100 quilômetros de vias destinadas a bicicletas, sendo 70 quilômetros de calçadas compartilhadas e 30 de ciclovias exclusivas.

Ampliação

De acordo com o coordenador de mobilidade urbana do Ippuc, José Álvaro Twardowski, o primeiro passo foi pensar em um projeto de recuperação e revisão da malha existente, com base em uma visão integradora. “Estamos fazendo um diagnóstico da infraestrutura existente e estudando se alguns trechos vão permanecer”, afirma.

O segundo passo será investir em campanhas educativas, para mostrar o papel do ciclista no sistema e como os condutores devem tratá-lo. O terceiro passo será investir na ampliação da malha, com quatro tipo de vias, segundo a necessidade: ciclovia, calçada compartilhada, ciclofaixa e faixa compartilhada. E é aqui que os esforços da equipe do Ippuc se concentram.

Cinco projetos já estão definidos. Em primeiro lugar, decidiu-se que mais 45 quilômetros de vias devem ser incorporadas à malha curitibana nos próximos anos, com a implantação de uma ciclofaixa na Marechal Floriano Peixoto, uma calçada compartilhada ao longo do Rio Barigui, uma ciclovia no trecho Norte da Linha Verde e outra no novo Eixo de Integração localizado no Sul da cidade.

Também está nos planos uma rede metropolitana de ciclovias, com uma extensão estimada de 42 quilômetros. O projeto está sendo desenvolvido junto ao Plano Diretor Multimodal, que abarca o novo projeto de desvio ferroviário, que seria feito seguindo os contornos rodoviários da cidade. Uma rede cicloviária seria implantada junto à nova ferrovia, ao redor da cidade e em trechos da linha férrea desativada.

Por fim, para colocar de vez os curitibanos sobre duas rodas, o Ippuc pretende complementar o plano com equipamentos de apoio como paraciclos (espécie de estacionamento aberto para bicicleta), bicicletários (estacionamentos fechados) e um sistema de bicicletas de aluguel.

Mesmo com todo o esforço, a quantidade de vias destinadas a bicicletas ainda estará longe dos 4,8 mil quilômetros de vias destinadas a carros em Curitiba. Segundo Twardowski, porém, o Plano Diretor Cicloviário será capaz de cobrir todas as possibilidades do sistema viário básico, ou seja, vias estruturais, coletoras e setoriais.

Fora dessas vias, o ciclista deverá dividir espaço com os carros. “Aí vale o que diz o Código de Trânsito Brasileiro: a bicicleta também é um meio de transporte. As campanhas educativas devem ajudar a conscientizar os motoristas”, diz Twardowski. Por: Themys Cabral

Já Fábio Duarte, diretor do mestrado de Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, defende a implantação de ciclofaixas e a integração dos modais, pois de nada adianta ir de bicicleta e nãoter onde estacionar, não poder levá-la dentro do ônibus, etc.

As ciclovias ou ciclofaixas são uma infraestrutura para a bicicleta. Mas uma cidade que dá atenção aos ciclistas não se restringe a elas. Ver a bicicleta como um meio de transporte, não exclusivamente de lazer, é colocá-la em vias preferenciais, dentro do transporte público (nos ônibus ou ao menos com bicicletários junto aos terminais e principais paradas de ônibus), compartilhando vias exclusivas de transportes públicos, em zonas com velocidade controlada.

No caso de Curitiba, sempre digo que a bicicleta será levada a sério quando houver uma ciclofaixa na Avenida Visconde de Guarapuava. Se Nova Iorque criou ciclofaixas no centro de Manhattan, seu centro financeiro e comercial, se Paris criou faixas exclusivas e outras compartilhadas com ônibus na Rue Rivoli, umas das mais movimentadas de seu centro, não há nenhuma justificativa técnica de não termos uma ciclofaixa na Visconde de Guarapuava.

O Plano Cicloviário em execução pela prefeitura, capitaneado pelo Ippuc, é certamente de grande valia. Mas poderia ser aberto à discussão – e principalmente, aberto à inovação. O Ippuc já foi um dos grandes centros de inovação urbana do Brasil – talvez O centro de inovação.

O transporte não motorizado e coletivo é o investimento mais em voga em lugares tão grandes e até mais complicados que Curitiba (Nova Déli, na Índia, Melbourne, na Austrália, e São Paulo estão investindo com força nisso). Curitiba tem o histórico de investir em transporte público de qualidade. E também sempre teve coragem de inovar. Este é o momento de inovar.

Bruno Latour, um grande estudioso das inovações tecnológicas, disse recentemente que ninguém imaginava fazer sentido pensar em bicicletas nas cidades há 20 anos, e tampouco em bondes. Hoje, é o que se faz nas cidades.

Há 20 anos Curitiba criou sua rede de ciclovias. Agora é insuficiente, mas foi inovadora. É hora de inovar novamente. Se nossa aposta, em Curitiba, é pelo transporte público e pelo transporte não poluente e integrados ao meio urbano, novamente devemos colocar as ideias para circular. Uma ciclovia circundado o parque Barigui é boa? Sim. Melhor seria uma ciclofaixa ligando o Cajuru ao Barigui, passando pelo comércio, pelas universidades e escolas, pelo centro – enfim, colocando um transporte não poluente em evidência, com os projetos de qualidade que Curitiba sabe fazer.

Veja o infográfico elaborado pela Gazeta do Povo como seria a nova utopia Curitiba. Clique que aumenta.

A nova utopia curitibana. Será que desta vez pega?

A nova utopia curitibana. Será que desta vez pega?

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9 Comments

  • Arrrreee que até que enfim alguma coisa que “parece” séria na agenda da “gestão urbana” de curitiba!
    Só não concordo com o compartilhamento com os pedestres nas calçadas, acho um desrespeito para com quem anda a pé: calçada é pra pedestre, e só!
    Vamos torcer pra que tenhamos uma cidade com mais espaço para nós!
    Legal a matéria Renato, um abraço.

  • Ciclista de Santa Felicidade não vai ao Centro? Ou tem que fazer a volta por Rebouças ou Barreirinha?
    Desistiram do Canal do Rio Belém? E a Av. da Torres?
    Essa mudança da ferrovia é só para livrar a cara dos carros, eles vão imediatamente aumentar estupidamente a velocidade, pelo menos nas horas não engarrafadas. E no Centro? Cadê a ciclovia do canteiro central da Visconde de Guarapuava, para o sistema de aluguel de bicicletas? E os eixos estruturais onde estão as canaletas de ônibus? Querem manter o ciclista na marginalidade da canaleta? E a Cidade Industrial Norte, só liga com o Centro se for na base do motor? Espalhando binário na cidade inteira remove-se a possibilidade de circulação compartilhada com os motorizados. Removendo-se os estacionamentos em toda a parte central aumenta-se a velocidade dos carros.
    Enfim, a política real não é a favor da bicicleta, ao contrário. Esses projetos são tentativa de compensação, tipo conto do paco do bilhete premiado para o usuário da bicicleta comprar achando que está levando tremenda vantagem.
    Eu acreditaria mais se a coisa começasse por um programa de treinamento dos motoristas de ônibus, de táxis, e instrutores de auto-escolas.

  • O compartilhamento de calçadas atende o segmento de usuários de baixa velocidade, como os entregadores de produtos. Dado que eles não conseguem velocidades elevadas, a permissão para eles é válida. (Já vi até carro de valores na XV, por que não bicicletas de carga?)

  • Renato… parece que o principal problema dos gestores é que tentam fazer o necessário dentro do possível, sem entender mesmo o que é a movimentação com bicicletas. Aqui em Recife, a cidade construiu uma LINDA ciclovia na praia de Boa Viagem que parece uma cobra de tanta “chicana” que tem (numa avenida praticamente reta!). Ou seja, é uma via de lazer mesmo, e não uma via de transporte sério. Quem pedala muito ODEIA esta via, porque vc enche o saco de ficar quebrando a cadência de pedalada a todo momento para fazer uma curvinha atrás da outra. Muitos apelam e rodam por fora dela, na pista direto, com tudo quanto é motorista buzinando e apontando para a ciclovia, como que dizendo, “VAI PELA CICLOVIA, DEIXA DE ATRAPALHAR MINHA PASSAGEM”. Pelo que vi nos comentários do Peters, os gestores daí também não parecem ter muita experiência. Quando os gestores forem ciclistas também e quando as administrações públicas passarem a ver as bicicletas como veículo de transporte, pode ser que a coisa melhore. A esperança é a última que morre!

  • Concordo plenamente com “quase” tudo o que foi dito…mas ainda penso que o compartilhamento nas calçadas com o pedestre causa problemas com quem anda a pé, o fato de termos muitos entregadores que usam a bicicleta me parece que é mais uma razão para utilizarem a ciclovia/ciclofaixa.
    Um cidadão pedestre diria:
    “o problema não é nosso, o poder público que trate de resolver mais essa questão”.

  • Rogério, aqui fizeram uma ciclovia na Linha Verde (já apelidada de cinza) que é exatamente igual esta do Recife: parece uma cobra! Claro que estas soluções são, como o Peters, faloupaliativos ou compensações. Viva os carros! Morte aos pedestres e ciclistas!

  • Pingback: Marcio Pimenta

  • Fico louca da vida. Acabaram de fazer uma BAITA reforma na Marechal Floriano (que aliás, ainda não acabou) por causa dos novos “ligeirões” e não aproveitaram para colocar as tais ciclofaixas de ciclistas? Arrancaram TODO o asfalto, desviaram calçadas e não pensaram já nisso?
    Todo santo dia uso a avenida e vejo gente ir trabalhar, e até crianças e adolescentes, usando as canaletas de ônibus, com suas magrelas, arriscando a vida…
    Agora vão pedir 2 milhões de financiamento para fazer as tais ciclofaixas… hmmmmmmmm…

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