Deu na Gazeta

Artigo da Gazeta do Povo, que, parece-me, descobriu a bicicleta. Pelo menos uma vez por semana as bicicletas vêem à tona, mostrando à população curitibana que existe vida fora da bolha. Leia:

Alternativa sobre duas rodas

Daniela Neves

O uso de bicicletas nas atividades rotineiras pode ser uma boa saída para as grandes cidades. Ecologicamente correta, saudável e viável para trajetos curtos (é ideal para trajetos de até seis quilômetros), a bicicleta não só tiraria automóveis da rua como poderia ser uma opção para aqueles que não gostam de esperar o ônibus.

Mas quem estuda o assunto diz que Curitiba fica a dever em estrutura capaz de atrair um maior número de ciclistas. “Os trajetos por onde passam as ciclovias da cidade são bons para quem as usa como passeio. Para o dia-a-dia as ciclovias são bastante deficitárias. Servem para os fins de semana”, diz Fábio Duarte, coordenador dos programas de pós-graduação em Gestão Urbana da PUCPR.

Usuário de bicicleta, Duarte diz que o poder público precisa dar condições de segurança para ciclistas e chamar os usuários para a discussão do plano de mobilidade cicloviário, que está sendo desenvolvido.

O grupo Bicicletada, que fez dois desafios intermodais na cidade, mostrando que a bicicleta ganha em tempo de deslocamento dos carros e ônibus, também fez um diagnóstico das ciclovias de Curitiba. No site do grupo, 102 pontos críticos de trechos por toda a cidade foram mapeados e são mostrados pelo sistema Google Maps. Buracos, cruzamentos perigosos e má conservação são críticas feitas pelos usuários. “A ciclovia é só um dos itens necessários para os ciclistas. Mais do que isso, é preciso planejar a cidade para a bicicleta como meio de transporte, seja com ciclofaixas ou vias cicláveis, onde haja controle de velocidade e limite para que os carros não passem tão próximos às bicicletas”, diz Luis Cláudio Brito Patrício, de 31 anos, que há quatro vendeu o carro e vai para o trabalho todos os dias de bicicleta.

Bike chique

Algumas dificuldades apontadas por quem gosta de pedalar, mas não usa o veículo no dia-a-dia, é o suor causado pelo exercício da pedalada, que não combina com o vestuário mais formal, necessário para alguns no trabalho. Quem usa a bicicleta diz que, realmente, o ideal seria que os locais de trabalho tivessem vestiários adequados, além de bicicletários seguros. Mas a roupa pode ser adaptada. “Eu levo uma mochila com uma camisa mais formal e não corro no trajeto, por isso não chego suado”, diz Patrício.

Um movimento criado no fim do ano passado em Curitiba quer mostrar que usar bicicleta pode ser chique. O Curitiba Cycle Chic está organizando um desfile com roupas adequadas para o uso da bicicleta e que não deixam a moda de lado. “Não precisa usar roupa esportiva. Queremos quebrar esse estereótipo e mostrar que é possível estar elegante andando de bicicleta. Se na Europa isso é possível, aqui também é”, diz Michele Micheletto, integrante do grupo. A dica do Cycle Chic é usar elástico, ou uma espécie de pulseira, na calça, para não sujar na corrente. As garotas podem optar por sandálias rasteiras e vestidos com shorts por baixo. A racionalidade da muda de roupa extra na mochila também é válida. “Não é chique chegar suado no trabalho. Por isso, nos trechos de subida, é só carregar a bicicleta que tudo fica bem”, diz Michele.

Serviço

Curitiba Cycle Chic: http://curitibacyclechic.blogspot.com

Bicicletada Curitiba: Bicicletada Curitiba

No mesmo artigo há links para outros texto abordando a mobilidade:

Fonte: Gazeta do Povo, caderno G.

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