Segunda de carnaval: Quiriri

Como não gosto de carnaval, a bagunça, mas adoro um feriado, fomos o Marcos, o Mildo e eu para um pedal motivador: subir o Quiriri e depois se abastecer com um churrasco, que o amigo Giovane prometeu, se chegássemos ao racho de pedra.

O Mildo chegou faltando cinco minutos para às sete e vinte minutos depois partíamos em direção a Tijucas do Sul, onde o Marcos estava nos esperando, na localidade chamada Tabatinga.

Tabatinga, ponto de encontro e de partida.

Tabatinga, ponto de encontro e de partida.

E chegamos na hora combinada. Pegamos uma estrada de chão e rumamos em direção ao Quiriri. Àquela hora da manhã o clima estava bem ameno, ainda com uma boa cobertura de nuvens. Mas quando chegamos no Postinho, o sol já estava pegando. Nos abastecemos com água, tomamos uma coca-cola, por que daqui a pouco começaria a subida do morro.

O Quiriri, logo atrás.

O Quiriri, logo atrás.

Parada estratégica para se refrescar. O rio que passa ao lado da estrada é um convite para cair na água, tirar a poeira, relaxar e se preparar para o que vem pela frente. A água é um pouco gelada, mesmo com temperatura por volta dos 30 °C, mas ajuda! Aproveitei para molhar a camisa e a bandana, por que na subida o motor ferve.

Começamos bem, com o ritmo do Mildo e fomos subindo, subindo… A estrada está sendo usado por uma mineradora para extrair o caulim, então vem sendo mantida em bom estado de conservação. Isto do ponto de vista de um ciclista. Para o pessoal que vem de carro, isto é caminhonetes com tração integral ou até um fusca, a estrada é terrível. Vimos um Mitsubishi L-200 subindo e deu para sentir como a estrada é péssima. Mas para nós estava muito boa, comparada com a última vez que estivemos na Serra do Quiriri.

No meio da subida, quando já ouvia um bloco de carnaval bem perto de mim (era o meu coração, que aquela altura já fazia barulho), o Marcos chamou a tenção do Mildo para o pneu traseiro, que esvaziava lentamente. Um furo. Na subida. Descanso e fotos.

Mildo consertando o pneu.

Mildo consertando o pneu.

Seguimos o baile. Empurrei a bike mais um pouco, pois estávamos em um local com uma das piores inclinações, e voltamos a pedalar. Como disse o Marcos, a vovozinha dele já tinha tido um enfarte. Explico: as relação na subida foi, 99 % do tempo, 22×34. Quando chegamos em um platô, ficamos todos alegres, achando que já havíamos acabado de subir. Estávamos enganados, tinha mais um pouco. Mas logo chegamos no topo, pelo menos da estrada: 1380 m.

Altitude máxima: 1380 m.

Altitude máxima: 1380 m.

Seguimos para a sede da fazenda do Schneider, conversamos com o caseiro e pedalamos até onde era possível. Encontramos a caminhonete do pessoal, bem próxima de uma torre meteorológica e quase perdemos a respiração: lá embaixo podíamos avistar Joinville, Rio Bonito, Pirabeiraba e a baía de Babitonga. Um visual simplesmente alucinante.

O lado de lá: Joinville.

O lado de lá: Joinville.

Dali para a frente só a pé. Escondemos as bicicletas em um capão de mato e fomos seguindo a trilha do Peabiru ou o caminho dos Ambrósios, construído por volta de 1850, com mão de obra escrava. Tinha a finalidade de facilitar o acesso das mulas de carga ao planalto e vice-versa. Por este caminho é possível chegar a Garuva.

Caminho dos Ambrósios

Caminho dos Ambrósios

Subimos e descemos algumas colinas e logo avistamos o pessoal. Mas cadê o churrasco, Giovane? Nada! Bom anfitrião que ele é ofereceu-os um… MIOJO! Claro, acompanhado de sardinhas em lata! Uma iguaria sem fim. Naquela situação comeríamos até pedra, se tivesse algum tempero. De qualquer forma, aquele miojo jamais será esquecido, pois estava muito bom. O duro era a fome do Marcos, quase comeu a lata de sardinha e só não lambeu por que teve medo de cortar a língua. Mas aí vei o Giovane com um salvador pedação de pão.

Terminada a refeição, regado com excepcional refresco de uva (Tang), subimos mais uma colina para ver o visual: de novo Joinville e região. Pena que havia um pouco de névoa sobre o vale, mas mesmo assim é de tirar o fôlego. Fotos feitas, resolvemos voltar, pois teríamos mais uma hora de caminhada e o tempo começava a fechar a oeste, com uma tempestade se aproximando.

A tempestade chegando

A tempestade chegando

Chegamos as bicicletas no exato momento que a chuva chegou. Felizmente leve, um pouco forte, mas nada de terror. Um pouco de trovoadas, decidimos descer até a sede da fazenda. Se estivesse caindo raios estaríamos em um belo apuro, lá em cima sem lugar algum para se proteger. Desci antes dos dois e acabei pegando pouca chuva e o solo ainda bom para descer rápido. O Marcos, que tentava entrar contato com a sua esposa, acabou pegando mais chuva, junto com o Mildo, mas este prevenido como é, já tinha colocado a sua capa de chuva.

Quem está na chuva...

Quem tá na chuva...

... está para se molhar

... está para se molhar

Passada a chuva, tínhamos de descer o morro. Como agora éra só descida, achávamos que em 10 ou 15 minutos estaríamos lá no pé do morro. Eu pensava até em tomar outro banho. Quando saímos da fazenda e pegamos a estrada de terra percebemos o tamanho da enrascada: aquilo que era chão batido de manhã agora era lama grudenta e fofa, que não descolava do pneu. Resultado: até dava para subir na boa, pelo menos eu que estava com pneu com mais cravos, mas descer, nem pensar. A bicicleta tinha vida própria: ela decidia o caminho. Tinha um pessoal, descendo com um Fiat Pálio e era a mesma coisa, com a vantagem que eles tinham quatro rodas e não caiam na lama!

Descendo a ladeira.

Descendo a ladeira.

O cômico da história foi ver o tombo que o Marcos quase levou. Em uma curva ele se desequilibrou, desclipou, ergueu as pernas e eu pensei: é chão! Como ele saiu da minha vista gritei para ver se estava bem e ele me aparece todo faceiro, quase transparente, dizendo que não tinha caído. Até agora ele não sabe como não caiu, só lembra de ter pedido: Jesus, me acuda! Pelo jeito, acudiu!

Resultado, chegamos no pé do morro já era passado das 19 horas e anoitecia. Lavamos um pouco as bikes, não dava nem para trocar as marchas do câmbio dianteiro e seguimos no escuro até o postinho, onde a esposa do Marcos deveria estar nos esperando. Pedalado mais alguns quilômetros percebemos que o chão estava seco. Não havia chovido por ali.

Muita lama.

Muita lama.

Logo encontramos a Lizete, braba com só. E com razão.

Mas que a valeu a pena, valeu. No total foram 95 km pedalados e 5 km de trilha a pé. A paisagem, como sempre deslumbrante, mas o entardecer, com o sol de uma lado e as nuvens de tempestade do outro, marcarão esta pedalada como aquela inesquecível. Quem foi, viu! Obrigado pela companhia ao Marcos e ao Mildo, dois grandes companheiros, principalmente quando o pedal é uma roubada daquelas!

Para ver mais fotos:

Trajeto e estatísticas:

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6 Comments

  • Realmente esse pedal (acompanhado de uma caminhada de aventura) entrou para a lista dos inesquecíveis. Esgotamos todas nossas forças mas fomos recompensados por uma vista paradisíaca e uma aventura sensacional.

    A subida do morro, com uma inclinação variando entre 30º a 35º é extremamente desafiadora, parabéns ao Mildo que pedalou a subida na íntegra. Quanto à descida, as fotos enganam um pouco para quem vê, ficando a impressão “por que esses manés desceram empurrando as bikes?”. É que o negócio, depois da chuva, estava mais liso que sabão, com uma lama que eu jamais tinha visto, parecia uma farofa molhada que grudava onde batia! No final cambios dianteiros nem se mechiam! Foi muito interessante na hora que perdi o controle da situação eu já estava me vendo no chão, mas como o Renato escreveu, só pode ter sido um milagre mesmo eu não cair, Jesus me acudiu! hehehe

    Quem é vivo, VIVA A AVENTURA!

  • Da próxima vez vou deixar vcs sem o miojo seus reclamões!! KKKKKKKKKKKK

    A carne para o churras estava com a galera que vcs encontraram na descida , (junto com muita cerveja e gelo) mas eles se atrasaram por que o TIO do fusca tem imobiliária e tinha trabalho. (QUE AZAR)
    Nem tudo que é planejado ” sai nos conforme” !! 😛
    Mas para vcs terem uma idéia não saiu churras no final, pq que depois que vcs sairam a chuva não parou mais, os caras que vcs encontraram (Paulo, Marcão e o Gordinho)chegaram na casa as 20:30 no escuro sem lanternas. A AVENTURA neste dia foi para os pedaleiros e para os “montanhistas” por que a volta ontem a tarde com 30kg de mochila foi triste também, mas descer com uma camionete traçada e 4X4 parece passeio perto da do sofrimento de vcs…

    Bora para uma próxima!

  • Agradeço mais uma vez o convite e a companhia do Renato e Marcos, mais um super pedal alucinante!!
    Marcos – foi na igreja hoje??? porque na hora do Jesus me salva ele te salvou, hahahaha vai lah cara,,

    Giovane, aquele miojo com sardinha foi digno de um Lelis Tratoria, huauhauhauhauh obrigado, estavamos famintos, o Marcos que o diga, parecia o Fred Flintstones comendo uma costela de dinossauro hauhauhahuahuaahu

    Renato, parabéns pelos relatos,

    e simbora marcar uma próxima!!!!

    []s mildo

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