Serra da Dona Francisca

Foto: Stulzer.

Foto: Stulzer.

Domingo passado fizemos o pedal para a serra da Dona Francisca. Organizado pelo , este pedal contou com a volta do Du, nosso personal router. O pedal também era comemorativo do encerramento do ano e era para soltar as tiras, não é Mildo?

O roteiro incluía a subida toda da serra e a descida pela Estrada do Rio do Júlio, um bucólico caminho que leva até a pequena cidade de Schroeder.

Saímos cedo de Curitiba e seguimos até Pirabeiraba, distrito de Joinville. Ali chama-se Rio da Prata, um local muito bonito, encravado entre as serras da Dona Francisca e o maciço do Quiriri. E lá pelas 09:20 da manhã começamos a subida da serra. O sol já estava dando o ar da graça.

O³ confabulando.

O³ confabulando.

O começo da subida é enganador, pois você vai subindo lentamente até que chega aos pés da serra e a inclinação muda rapidamente. Naturalmente, a partir deste ponto, os pelotões se formam: os mais aptos vão pedalando na frente e os inaptos, eu inclusive, atrás.

Mais um ano só trabalhando, estes pedais longos tem sido um tormento, pois sem a preparação necessária, o corpo padece. Para ajudar, no sábado fui a um churrasco com o pessoal da universidade e me excedi na cerveja mais tequila. Resultado: me desidratei ainda mais rápido que o normal!

A subida é longa!

A subida é longa!

Mas, após algumas paradas, cheguei ao topo da serra, um primeiro altiplano, aos 800 metros, pois para quem vai até Campo Alegre, a subida continua!

Esta região, aliás, como toda o estado de Santa Catarina, é lindíssima, com uma vegetação bem característica da serra do mar e suas muitas escarpas, pois a transição do planalto para o litoral é muito rápida. Este é o lado bom de pedalar nestas encostas.

Aliás, subir montanhas pedalando é mesma coisa para doido. É um pedal massacrante, mas por ouro lado, desafiador. Você tem de se superar, por que a gravidade te puxa para o lado que desce, mas você teimosamente quer ir em sentido contrário.

Foto: Fabrício Souza.

Foto: Fabrício Souza.

Nestas horas, cabeça para baixo, olhando o asfalto que passa lentamente e a mente imersa em pensamentos muitos. Um momento de total interiorização tentando vencer aquela subida medonha, lutando contra a respiração ofegante, o suor escorrendo por todo o corpo.

É muito bom! Passado os aclives mais pesados, logo se alcança o topo e, com isto, o desafio superado. Nesta subida foram quase 750 metros de desnível. Um bom pedal.

Já lá em cima, pegamos a estrada para o rio do Júlio e uns dois quilômetros depois de sair da rodovia, minha corrente simplesmente me abandonou. O power link abriu e a corrente caiu. Nunca tinha visto uma coisa destas. O Lulis foi juntar a corrente a milanesa e eu a remendei, mas como este tipo de remendo nunca fica lá estas coisas, achei que era a hora de desistir de completar o caminho, uma vez que estava mais perto do começo, apenas voltando, do que ir em frente e causar mais atrasos ao grupo.

O Lulis e o Du queriam que eu fosse, mas na verdade, eu estava me sentindo muito mal, acho que já estava sentindo hipotermia e não consegui comer nada. Decisão acertada, voltei dali. Parei em um caldo de cana, lá em cima ainda, do senhor Rolando, um ex-caminhoneiro muito simpático, que adora uma boa conversa. Fiquei por ali uns 30 minutos até me sentir melhor, e embalado por um caldo de cana desci a dona Francisca. Agora com a gravidade a favor rapidamente se atinge velocidades de 60 – 65 km/h. Ou seja, um mês para subir e alguns minutinhos para descer.

Que lugar para morar!

Que lugar para morar!

Cheguei em Rio da Prata e a van já tinha saído para o posto Rudnick, local para o reagrupamento final. Segui até o posto onde encontrai o motorista descansando em uma rede, na sombra, por que o mormaço ali estava de matar. Fui tomar um banho para tirar o suor e só depois de uns 45 minutos senti vontade de comer. Agora era só descansar e espera a turma voltar.

Perto das 18 horas começou uma tempestade de verão e mais uns 45 minutos começaram a chegar os aventureiros: o Arce e o Bixo seguidos pelo Fabrício. Mais alguns minutos o restante do pessoal foi encostando.

Daí em frente começa a narração das histórias, cada um contando a sua versão do pedal. Um momento único, sorriso estampado na face, molhados, cansados e com vontade de marcar o próximo.

Acredito que seja esta a essência destes pedais: lutar contra um desafio pessoal, vencê-lo após uma série de tropeços, fortalecer as amizades, todas elas surgidas através da bicicleta, e já marcar o próximo. Se não servir para mais nada, pelo menos estamos juntando histórias para contar para os nossos netos.

Du, Lullis, Arce, Luiz, Fabrício, Stulzer, Peterson, Daniel, Mr. Hell, Pedro, Lyra, Galiano, Zé e Fábio: foi um bom pedal, em parte, é verdade, mas fechamos o ano com estilo. Até o ano que vem em mais um desafio típico . Ou alguma sugestão melhor. Ouvi algém falar em Telégrafo?

Este foi mais um pedal com o selo:

Mais relatos deste mesmo pedal:

Dona Francisca no EveryTrail

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