AUDAX 300: nunca mais!

Vejam abaixo o relato da Karina, que participou do AUDAX 300, realizado no último dia 28 de abril:

Bom Dia, pessoal.

À meia noite de sexta-feira, eu (Karina), Felipe, Clodoaldo, Cruel, Frida, irmão da Frida, Flávio e Neto largamos para fazer o Audax de 300 km. Começou com muito frio, todos de gorro, anorack e luvas, mas logo na primeira subida o negócio deu uma esquentada, mas por pouco tempo.

Aos poucos íamos nos dividindo, Clodoaldo, Cruel e Neto, muitas vezes seguiram em um ritmo mais forte, mas logo no próximo PC nos encontrávamos, para fazer uma nova largada para o próximo PC. Saindo do PC 2, após uns 100 km pedalados, o frio pegou feio, nossa mãe, não dava para conversar, pois os lábios não paravam de tremer, os dedos da mão estavam dormentes. O pneu da bike do Felipe furou 3 vezes e o meu uma vez, o pior era parar para trocar, pois o corpo esfriava. Quando pegávamos uma descida dava vontade de gritar de frio, no meio de Ponta Grossa resolvemos parar para tomar café e nescau quente, e é claro que rolou um pão de queijo junto.

Dali não víamos mais nem o Flávio, nem o Neto e nem o Cruel (socaram na nossa frente, risos). Eu, Felipe, Clodoaldo, Frida e seu irmão seguimos com mais um pessoal que também ficou por ali uns minutos, mas logo na primeira descida nos afastamos um pouco, seguimos por muitos kms o trio parada dura eu, Felipe e Clodoaldo, quando de repente escutamos uns gritos: e aí Patrãoooo! O Cruel não agüentou de saudades e parou para beber algo e nos alcançou. Dali até Castro começou nosso martírio, meu, meu, meu, eu não sabia que tinha tanta subida até lá, descia um pouco e logo subia novamente, nestes momentos até chegarmos no PC 3 de 150 km (em Castro), minha barriga chegou a doer mais que o meu joelho, de tanto que eu ria do patrão (Clodoaldo) reclamando de dores nos joelhos, e perguntado a que horas o ônibus iria sair de Castro para levar os desistentes (risos). Cada subida, nossa que alegria (a lágrima vinha nos olhos, risos) o que foi este trecho sem fim, como ele dizia: “vai chegar nos 300 km mas não chega os 150 km de Castro”. Até chegarmos neste PC ele estava convicto que não iria continuar mais, mas é claro que nós não iríamos permitir sua desistência. Já havia me esquecido de contar do Flávio, quando ainda faltavam uns 3 km para nós chegarmos no PC de Castro, avistamos ele do outro lado da BR, já retornando para Ponta Grossa, todo sorridente, e nós ali, com aquelas caras: o que estamos fazendo aqui, tentando buscar um motivo para continuar, risos. Descobrimos que o Flávio é da Elite mesmo, risos. O Neto já estava nos esperando no PC, como chegou antes já havia pedido seu décimo misto quente, risos, ainda bem que sobrou para nós. Após comermos, foi muita risada, pois dois senhores de quase 80 anos, estavam felizes, de bem com vida, com as suas bikes carregadas e fazendo na alegria o percurso. Nisto eu olho para o Clodoaldo e digo: “ooooo Patrão, se até um senhor deste, de 80 anos consegue, imagine você, o que o pessoal da aventura não vai falar!”. Pronto. Remédio tomado e seguimos, a Frida e seu irmão seguiram um pouco na frente, fomos encontrá-los quase em Ponta Grossa, dali faltavam uns 8 km até o PC dos 200 km. Nossa, ali meu joelho e do Felipe tava pegando também, tive que pedir um remédio para o Patrão, assim seguimos arrastados até o PC.

Pronto, agora falta só 100 km, o Felipe queria ficar por ali também de tanta dor, agora mais um querendo desistir, mas todo mundo animava ele, para que assim seguíssemos juntos. Mais pão e bebida para dentro e seguimos. O Cruel e o Neto foram na frente, Frida e seu irmão vieram logo atrás de mim, Felipe e Clodoaldo. Sem contar quantos pneus tivemos que trocar, que raiva que dava, posso dizer que dos 200km até os 250 km foi o pior trecho para mim, eu não tinha mais posição com minha bunda, doía tudo, cada pedrinha do asfalto doía o corpo todo, nossa não chegava nunca, achei que não iria conseguir seguir adiante, bateu meio que o desespero, um ia falando para o outro: “Audax nunca, mais”, “Audax de 400 km nem pensar!!!!!”, “Quero estar longe quando for o outro”, risos. E assim íamos, um tirando sarro do outro, outras vezes o silêncio prevalecia.

Chegamos no km 250, agora é só comer e seguir, quase chorei. Comemos um pouco, Neto e Cruel já estavam comendo, logo chega Frida e seu irmão,resolvemos sair todos juntos novamente, mas logo Neto e Cruel escapam de nós, fura mais um pneu do Felipe. Logo chegando no Pedágio vimos o Cruel sentado nos esperando, não agüentou de saudades! Frida e o seu irmão resolveram parar para um gel, e pegamos uma descida deliciosa da Serra de São Luiz do Purunã, logo alcançamos um daqueles senhores de 80 anos, com o pneu furado. Tenho que parabenizar a minha equipe, que trocou o pneu para ele, e também por termos conseguido ultrapassá-lo! Que sufoco (risos). Tenho que confessar que para não perdermos para ele, os meninos deixaram o freio agarrando na roda, para ele girasse mais lento, (risos).

Agora só faltava 20 km e ultrapassar o próximo senhor de 80 anos. Enfim, o avistamos faltando uns 13 km para o Pórtico, ufa!, passamos, foi quando o Patrão diz: “que bom ganhamos deles”, mas o Cruel diz: “é bom esperar vai que eles estão guardando para o sprint final”! A que ponto chegamos, todos quebrados e com medo de perder para os dois senhores mais simpáticos e idosos do Audax! (risos)

Fizemos em 18 horas e 30 minutos, faltando uma hora e meia para o corte, ufa!

Moral de tudo:

“Fomos vitoriosos, por termos alcançado nosso objetivo, por termos lutado contra nós mesmos, e nos unido e amparado na força de nossos companheiros que não permitiram nossa desistência.
Ganhamos o quê? Garra, Força e a prova que tudo podemos com a fé e a felicidade em Deus, é ele que nos enviou nossos amigos.”

Mas quando houver outro Audax vocês me avisem, para que eu fuja para o lado contrário. To sem bunda, sem coxa, sem joelho, e com a moral abalada em ver que pessoas bem menos preparadas e idosos tem o psicológico muito melhor do que nós, Os Aventureiros!”

Parabéns, pessoal! Agradeço a Deus por ter vocês junto de mim nestas aventuras!

A Karina, com o certificado.

Audax 300 Karina

Clodoaldo, confirmando a aventura.

Audax 300 Clodoaldo

E o Neto, está rindo do que?

Audax 300 Neto
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