Serra do Quiriri

O primeiro pedal do ano não podia ser melhor: Serra do Quiriri. Esta serra fica em Santa Catarina, logo acima de Garuva e é mais facilmente alcançável por Tijucas do Sul, de onde saímos: Giovane, Marcos e eu.

Gigio e Marcos, Pinus

O caminho até o pé da serra é tranqüilo, praticamente só descidas, até alcançar a localidade de Postinho, uma comunidade bem pequena, isolada na divisa do Paraná com Santa Catarina, ainda no município de Tijucas do Sul. Seguindo a estrada e passando pela divisa dos estados (um ribeirão) vamos pedalando um bom tempo na margem deste rio, que vem lá de cima da serra.

Ponte com chapas de aço

Logo passamos por uma porteira e entramos em uma área particular, mas pela qual podemos pedalar. Pedalamos até um local onde uma sobra convidativa nos fez parar e por ali montamos acampamento. Fizemos um lanche, descansamos um pouco e o Gigio disse que iria ficar por ali, por que subir a serra era somente para atletas. Bem como não veio nenhum atleta conosco o Marcos e eu resolvemos subir.
Ponto de descanso

No caminho encontramos vários animais pastando. O mais engraçado é que tinha um monte de bezerros, com as caraa todas lambuzadas de leite. Esta aqui até fez pose para ser fotografada.

Vaquinha charmosa

A partir daqui começa o sofrimento. Tem 1 km mais ou menos tranqüilo e depois 4 km só subindo, com uma declividade bem forte. A estrada é bem mantida, mas como tem chovido forte na região e fica tudo lavado, com muita erosão e pedras soltas. Em alguns lugares a estrada foi feita apenas retirando a parte superior, preta e orgânica, e expondo o solo bastante sedimentar. Lá cima, por exemplo, tem minas de caulim.

Subindo Quiriri

A subida prossegue. Tivemos de empurrar as bicicletas morro acima depois de uma parada para descanso, por que é praticamente impossível tentar subir e sair pedalando. Empurramos até umas curvas de nível (para conter as águas) e aí pudemos subir nelas. A parte legal é que para qualquer lado que se olhe o visual é deslumbrante. Às nossas costas tínhamos a planície formada por Tijucas do Sul, Agudos do Sul, Pien, Mandirituba e a serra próxima de desta. À nossa frente a montanha.
Quase lá. Quiriri

Segundo o mapa (Tijucas do Sul – Morro do Quiriri) que o Marcos fez no Bikely a altitude máxima que alcançamos foi próxima dos 1.400 m. O bom é que a temperatura estava bem mais baixa, acho que uns 19 °C. Com o vento que vinha de leste a sensação térmica era ainda menor. E a gente chegou lá cima suando em bicas.

Serra do Quiriri

O caminho para se chegar à serra do Quiriri tem o nome de “Caminho dos Ambrósios”. Este nome um pouco diferente tem muita história. Ambrósia (Asteriscus maritimus) é o nome de uma flor que existe em Portugal e os primeiros desbravadores desta região encontraram no planalto da serra estas flores achando que fossem as mesmas.

Ambrósios

Este caminho tem muitas histórias. De qualquer forma foi o primeiro caminho ligando Curitiba ao litoral norte de Santa Catarina, mais especificamente o porto de São Francisco.

E lá no alto da Serra do Quiriri existem várias fazendas, com porteiras e cadeados. Segundo os proprietários, devido ao descuido dos visitantes (motos, jipes e outros) e ao lixo deixado, não tiveram outra saída senão restringir o acesso. Um dos maiores proprietários é o Sr. Carlos F. A. Schneider, da Ciser, de Joinville. Este industrial esta montando uma reserva particular, tentando preservar as nascentes dos rios que abastecem Joinville. Veja uma reportagem completa sobre o assunto aqui.

De qualquer forma é uma pena, mas sei também que alguns ciclistas tem o péssimo hábito de deixar lixo pelos lugares por onde passam. O Marcos e o Gigio vão tentar um contato com o Sr. Schneider e pedir permissão para passamos pela fazenda. No outro extremo pode-se ver Garuva, Joinville e até a Baía da Babitonga. Outra coisa que quero fazer é ir lá em cima no inverno. Deve ser um frio danado!

Depois que chegamos até a porteira da Fazenda da Ciser voltamos. O engraçado é que a porteira fica em uma parte mais baixa e, para voltar, teríamos de subir mais um monte, para depois pegarmos o descidão. E que descidão! Tanto sofrimento para subir e descesse tudo em um instante.

Logo chegamos na sombra, onde o Gigio deveria estar nos esperando. Nem sombra dele. Bom, entramos na água para limpar um pouco a sujeira e refrescar, pois aqui em baixo estava muito quente. Fizemos um lanche com o que sobrou e ficamos sem água! Descansamos por uns 30 minutos e seguimos até o Postinho, onde adivinha quem encontramos? O Gigio, todo queimado de sol, pois ficou sem o protetor solar. E o melhor é que ele tinha chamado o regaste!

Apesar de ter apenas 20 km até Tijucas, não deu para resistir, fomos de carona.

Para ver mais fotos, clique na figura.

Colagem

Para saber mais:

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